segunda-feira, 11 de abril de 2011

Que banda você toca?

Por Larissa Pimentel

As bandas de garagem divulgam seu som em busca do reconhecimento, e em nome do amor à música. Quem entra nessa, precisa ser perseverante, dedicado e não ter medo do trabalho: suor, som e talento, sem dúvida são elementos essenciais para quem viver esse sonho.

Sucesso, fama, prestígio... ouvir milhares de fãs indo ao delírio, cantando, em coro, uma música do repertório. Esse é o desejo de centenas de bandas que correm atrás da oportunidade de viver da música.

Santos é um celeiro de “bandas de garagem”. Todas desejam trilhar o caminho de glória, já desbravado por muitos músicos santistas que conseguiram reconhecimento entre o público da região - como é o caso da banda “General Tequila” - ou mesmo de todo Brasil, como fizeram os rapazes da “Charlie Brown Jr”.


A “Analisando Sara” é uma dessas bandas santistas que correm atrás do sucesso. Os músicos estão na estrada desde meados de 2006. Com um estilo que eles mesmos classificam como experimental, atraem muitos admiradores.

O vocalista Gilberto Júnior e o baixista Henrique Santana, acreditam que, para vencer na música hoje em dia, infelizmente, é preciso ter dinheiro para custear as condições impostas por este universo.

Gilberto, que já foi barman do Studio G, diz que nessa área também vale aquela história do ter “quem indique” e, mesmo que a banda possua talento, muitas vezes ele não é suficiente.

Além disso, para os integrantes da “Analisando Sara”, o Brasil ainda tem dificuldade de apreciar os artistas que fogem de um padrão mais voltado para o mercado. ”Brasileiro tem preconceito com a arte em si”, diz o baixista da banda.

Contudo, eles procuram não taxar negativamente as bandas que possuem estilos diferentes do seu, mesmo aquelas que têm forte apelo comercial, como é o caso da Restart. “Pelos menos agora o povo não olha com cara feia quem usa calça jeans justa”, brinca Gilberto, sorridente.

Henrique, que além de músico é projetista de cinema, também acha que todos os artistas podem contribuir com a cultura. Discorda daqueles que depreciam o talento de artistas como o cantor teen Justin Bieber, que trabalham para atingir um público mais abrangente. “No seu filme, vimos que o menino, desde pequeno, tocava violão nas ruas para mostrar seu talento. Aqui, ninguém valorizaria um artista como esse, pelo contrário, se ele fosse brasileiro provavelmente seria menosprezado”, diz.

Os músicos, que afirmam tocar por paixão, revelam que já dedicaram muito tempo à banda e não pretendem interromper o sonho. Querem, sim, viver da música e ter fama. Em suas músicas, buscam mostrar a realidade de experiências vividas por eles e pela sociedade. “Gostamos de criar coisas novas que possam acrescentar, e não fazer o que já existe”, alega Henrique.


O grupo ganhou o prêmio de “melhor banda underground”, em concurso realizado na internet. Mas, mesmo depois do reconhecimento do trabalho pelo público virtual, eles não se deslumbram e tentam melhorar cada vez mais.

Apesar de poderem desfrutar dos inúmeros benefícios das redes sociais, principalmente no que se refere à divulgação, os músicos acreditam que se sentiriam ainda mais realizados se todo o sucesso que já alcançaram no mundo virtual se repetisse na vida real. E, para isso, sabem que ainda precisarão ralar muito.

Eles iniciaram a gravação de seu terceiro EP (seqüência de gravações mais longa que um single e mais curta que um álbum) no início desse ano, e se mostram empolgados com o novo trabalho. Também gravaram um videoclipe, que ainda não foi lançado. “Passamos a noite do ano novo pensando e bolando coisas para esse disco”, contam.

Um dos grandes estímulos para que dêem continuidade ao trabalho, é saber que as músicas que compõem, de alguma maneira, ajudam ou inspiram seus fãs. “Quando recebemos algum elogio às letras e às músicas que compomos, ficamos imensamente felizes. Acho que esse é o caminho da realização”, conclui Henrique.

   Versatilidade é a aposta dos espaços que acolhem Bandas de Garagem

Estúdio de gravação e ensaio de segunda à sexta-feira e espaço para shows durante o fim de semana. O Stúdio G, localizado na Carvalho de Mendonça, 80, em Santos, é o reduto das novas bandas da região. É lá que diversos músicos se apresentam para divulgar seu som e ter a oportunidade de despontar na carreira.

Nos finais de semana, a pequena casa abriga cerca de duzentas pessoas nos dias mais procurados. Tamanho suficiente para essas bandas começarem a conquistar seu espaço.

Um dos organizadores de shows no Studio G, Khayan Malantrucco, de 21 anos, era um aspirante a músico quando decidiu organizar apresentações na casa. Hoje um dos eventos que organiza, o festival RockStuff tem cinco anos de existência.

Khayan diz que nesse tempo muita coisa mudou. Principalmente o envolvimento das bandas com seus próprios shows. Ele explica que para cada banda se apresentar, precisa vender vinte e cinco ingressos. Esse dinheiro é para bancar aluguel do estabelecimento e as despesas necessárias com o show. Caso a banda consiga vender mais que vinte e cinco ingressos, o lucro é divido entre os músicos e o organizador do evento.

Contudo, Khayan diz que muitas bandas consideram difícil vender esse número de convites. Para ele, essas não estão empenhadas o suficiente para divulgar seu som e conquistar seu público. “Cada banda tem em média cinco integrantes, todo mundo tem cinco amigos que possa comprar um convite de um show”, afirma.

O jovem empreendedor acredita que muitos têm dificuldade para divulgar o próprio trabalho... e aí, sobra para ele a responsabilidade de noticiar o evento. Para isso, Khayan conta principalmente com as redes sociais. São elas que o ajudam a atrair o público para seus eventos.

De acordo com o organizador, ter a casa cheia é sempre importante porque ele aposta no evento antes mesmo que aconteça: tem que bancar os custos do evento e assinar os contratos de locação. “Quando uma banda dá para trás, eu tenho que me virar para não sair no prejuízo”.

Khayan lembra que certa vez uma das bandas não compareceu ao próprio show, e ele precisou substituí-la às pressas. Em casos como este, ele conta com as bandas coringas. “Essas bandas geralmente não precisam vender convite, já têm seu público e acabam, às vezes, compensando outras bandas”, diz.

Nada além do amor pela arte

Por Joyce Salles Barreto

O teatro amador é o palco para os apaixonados pela arte que não esperam recompensas financeiras. Apesar da falta de incentivo, alguns grupos de dedicados artistas, ainda resistem.

Eles são advogados, médicos, dentistas, balconistas, psicólogos, seguranças, engenheiros, jornalistas... e todos têm algo muito forte em comum: a paixão pela arte de atuar, ainda que não seja como profissionais.

Talvez pelo amor incondicional pelo teatro, recebam o nome de artistas “amadores”.

Para mergulharem ainda mais nessa paixão, alguns dedicam-se a cursos e ganham experiência. Outros vão além, e se tornam profissionais.

Mas o ator de teatro amador costuma atuar por hobby, na maioria das vezes sem receber cachê. Em muitos casos, os próprios atores bancam o espetáculo.

Recebi a missão de caçar companhias de teatro amador em Santos. Internet? Anúncios de jornais? Listas telefônicas? Nada! Nestas fontes, pouco se encontra a respeito.

Descobri que, infelizmente, os grupos estão se extinguindo devido às dificuldades que os artistas encontram em manter as produções.

Resolvi, então, procurar festivais de teatro que recebem inscrições de grupos amadores. Foi assim, finalmente, que achei o Festival de Teatro Amador (FESTA), que deveriam ter algum registro.

Cheguei até Leandro Taveira, coordenador do Festival, que me recebeu no “Quintal da Pagu” antiga “Cadeia Velha”, espaço onde grupos de teatro e circo ensaiam seus espetáculos. Baners dos festivais anteriores enchiam as paredes da sala, na qual rolou nosso papo. Leandro, além de fornecer os contatos de alguns grupos, ainda contou sobre como FESTA vem esse ano.

Ele relembrou os tempos em que o “Quintal da Pagu” era movimentado por atores maquiados entrando e saindo pela enorme porta de madeira. Das antigas selas, sempre lotadas, vários grupos faziam seu palco e inúmeras fantasias enfeitavam as paredes brancas daquele lugar, que um dia foi um ambiente de aflição e tristeza.

“Hoje ainda se podem ver grupos, atores e até fantasias, mas não como antigamente”, lamenta Leandro.

Após ouvir essa declaração, sabia que a coisa não ia ser fácil.

Agora, eu tinha uma lista enorme nas mãos. Comecei a fazer os contatos. Logo de cara, um deles, deixou bem claro:

“Olha, eu não sou amador, eu sou PRO-FIS-SI-O-NAL!”

Resolvi mudar de tática. E através do professor de artes do curso de Produção Multimídia da Unisanta, Gilson de Melo, comecei a perceber porque eu estava tendo problemas.

“O termo ‘amador’ já está batido, por isso a dificuldade de encontrá-lo. Hoje, esses grupos se profissionalizaram ou fizeram algum curso. Por este motivo, não gostam de ser mais chamados de amadores. Porém, há aqueles atores que mesmo formados ainda fazem trabalhos amadores, seja atuando ou dirigindo algum grupo. Obviamente, não recebem cachê pelo espetáculo feito. É a arte pela arte”, explicou Gilson.

O instrutor de artes da Secretaria de Cultura de Santos – Secult, Ricardo Menezes se interessou pelo teatro em 1990, na escola onde estudava. Lá, os alunos tiveram contato com o Projeto Carlitos, no qual atores de teatro amador iam às escolas e elaboravam oficinas de cenografia, atuação etc.

Ricardo se profissionalizou, mas o teatro amador ainda faz parte da sua vida.  Ele dirige há 10 anos o “Arte Supernova”, grupo que tem na bagagem 14 peças e diversos prêmios.


Sua atual peça, “Para um amor de Vinicius”, é um tributo ao poeta Vinicius de Moraes. O enredo consiste em uma seleção de cenas que retratam o cotidiano de casais apaixonados, embalados por canções do autor.

Menezes conta que manter um grupo amador não é fácil:

“O grupo fica muito vulnerável à saída dos componentes que, por terem compromissos com o trabalho e com a casa, acabam tendo dificuldades em fazer espetáculos fora da cidade e por um longo tempo. É uma pena esse teatro estar acabando por preconceito da sociedade que desmerece o amador alegando falta de qualidade. As pessoas procuram como referência atores globais que estão na mídia, em detrimento dos que estão nascendo na sua própria região”, desabafa.

Egbert Mesquita, diretor do grupo Cia Kabuk, também é formado e concorda com a visão de Ricardo.

Ele começou no teatro em 1984, mas foi em 1987, com a ajuda de três amigos que fundou a Cia Kabuk de teatro com o espetáculo "Lagrimas de Cristal". Em 1996, após estudar Artes Cênicas em São Paulo e no Rio de Janeiro, Ricardo voltou a Santos e retomou o Kabuk, que deu origem a mais dois outros grupos, direcionado a faixas etárias  específicas (crianças e adolescentes).


Atualmente em cartaz com o grupo adolescente “Fúrias de Teatro” no espetáculo infantil "A Bruxinha Cor de Rosa", Mesquita ainda vê o teatro amador como uma grande família, onde todos se ajudam.

“As tarefas são realizadas com o empenho dos componentes do grupo. As despesas geralmente são bancadas de forma que arrecademos algum dinheiro para cobri-las. Não temos patrocinadores e nem apoiadores financeiros, mas temos muitos parceiros que colaboram com o que podem”, afirma.

                 FESTA

Criado em 1958, o FESTA é o festival de teatro em atividade mais antigo do País. Sua criação começou com Patrícia Galvão, a Pagu, com apoio do teatrólogo Paschoal Carlos Magno e do dramaturgo Plínio Marcos.

Desde 2009, o Festival de Teatro Amador (FESTA) deixou de ter apenas grupos amadores e passou a incluir produções profissionais em sua programação, transformando-se no Festival Santista de Teatro.

Nos mais de 50 anos de festival, já passaram por seu palco talentos como os irmãos Cláudio e Sérgio Mamberti, Greghi Filho, Tanah Corrêa, Jandira Martins, Ney Latorraca, Bete Mendes, Carlos Soffredini, entre outros.

Neste ano, com o tema “Respeitável publico” o 53º FESTA será realizado entre os dias 15 a 23 de abril.

Além de Santos, os trabalhos também serão apresentados outras cidades da Baixada, como São Vicente, Guarujá, Cubatão, entre outras.

O coordenador geral Leandro Taveira explica que o tema foi escolhido propositalmente para seguir a idéia de trazer de volta o público ao teatro, “Este ano estamos com a proposta “pague quanto quiser”, os ingressos serão cobrados de R$2,00 à R$8,00”, explica.

Leandro conta que neste ano o número de inscrições foi recorde: ao todo, 368 trabalhos inscritos de todo Brasil. “Tivemos inscrições de grupos de diversos estados, como Amazonas, Pernambuco, Santa Catarina e muitos outros”.

A secretária do evento, Sarah Antunes, conta como foi a seleção dos candidatos. “Encaminhamos as fichas técnicas e os DVDs para os jurados em cada categoria. Na categoria Rua, Lindolfo Amaral, de Sergipe; no infantil, Simone Grande, de São Paulo e no adulto, Imara Reis, do Rio de Janeiro. Escolhemos jurados de fora da região para evitar qualquer influência nossa”, diz.

Este ano, o FESTA virá com oficinas no “Quintal da Pagu” e oferecerá aos grupos que permanecerem na cidade durante o festival, estadia e comida.

O FESTA é uma realização da Comissão FESTA, com patrocínio do Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Cultura), por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC), e parceria com Prefeitura de Santos, Sesc-Santos, Associação dos Artistas, e Santos e Região Convention & Visitors Bureau.

Confira abaixo as mostras que já estão inscritas no festival!

   Mostra de Teatro de Rua

“Palhaços à Vista” – Cia Circunstância Circo Teatro – Belo Horizonte (MG)
”Contos de Lua no Chão” – Grupo do Trecho – São Paulo (SP)
“Cidade das Donzelas” – Troupp Pas D’Argent” – Rio de Janeiro (RJ)
“Circo Godot” – Cia Circo Godot – Recife (PE)
“O Último Suspiro” – Gaia’thos Cia Circense – Santos (SP)

   Mostra de Teatro Infantil

“Sobrevoar” – Cia do Abração – Curitiba (PR)
“Casos Cascudos” – Cia da Tribo – São Paulo (SP)
“Chapeuzinho Vermelho” – Cia Le Plat Du Jour – São Paulo (SP)
“Magia da Lua” – Coisas de Teatro Cia de Arte – Santos (SP)
“O Marajá Sonhador e Outras Histórias” – Os Buriti – Brasília (DF)

   Mostra de Teatro Adulto

“Strangenos” – Teatro Labirinto – São Paulo (SP)
“Deolinda e Genoveva” – Cia Lúdica – São Paulo (SP)
“E Agora, Nora?” – Cia Temporária de Investigação Cênica – São Paulo
“Olhos de Fazer Morder” – Teatro Experimental de Pesquisas (TEP/Unisanta) – Santos (SP)
“Encontro de Dois” – Quase9 Teatro – São Paulo (SP)
“Kd Eu?” – Cia Dramática de Teatro – São Paulo (SP)
“Pai e Filho” – Pequena Cia de Teatro – São Luís (MA)
“O Caderno da Morte” – Cia Zero Zero – São Paulo (SP)
“O Homem que Queria Ser Rita Cadillac” – Grupo de Teatro Presta Atenção – São Paulo (SP)

MISS – Memórias gravadas e expostas em um só lugar

Por Joanna Flora

O Museu da Imagem e do Som de Santos, localizado no Teatro Municipal, possui cerca de 16.000 arquivos, entre filmes e discos de vinil, que estão disponíveis para toda a população. O local permite aos visitantes uma viagem no tempo.

Provavelmente você nunca precisou revelar um filme de 36, 24 ou 12 poses. Mas, se você tivesse nascido há algumas décadas, certamente reconheceria as máquinas fotográficas abaixo. Caso você nunca tenha manuseado essa relíquia ainda existe uma chance para você conhecer um pouco mais sobre ela e outros aparelhos da mesma época: basta ir ao MISS, Museu da Imagem e do Som de Santos.




Trata-se de um pavimento térreo modesto, com paredes vermelhas, laranjas e amarelas. Quadros com cartazes de filmes antigos estão expostos em algumas dessas paredes. Dois bonecos do Vinicius de Moraes estão sentados em cadeiras no fundo do local. Um deles, inclusive, está “usando” fones de ouvido.

Ao entrar pelas portas de vidro do local, você fará uma viagem no tempo. O lugar tem a finalidade de preservar a memória dos meios de comunicação e a vida cultural da cidade através de recursos multimídia. Não são apenas máquinas fotográficas da época dos seus pais e avós: no acervo é possível encontrar televisões, máquinas de telex, filmadoras, gramofones e outros aparelhos dos quais certamente você nunca ouviu falar.

Audioteca - Para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre a cultura das décadas passadas, o museu disponibiliza cerca de 10.000 discos que podem ser escutados lá mesmo. “Os universitários de cursos ligados às artes (música, cinema e rádio) são os maiores frequentadores do MISS”, comenta Maria Antônia da Silva, chefe da seção do local.


Se você já ouviu seus pais ou avós comentando sobre os discos de vinil que mais gostavam e tem curiosidade de saber o tamanho, quanto pesavam ou como tocavam, sem dúvida esse é o melhor lugar.

Videoteca - Mas se o seu negócio é imagem, não tem problema. 5.982 vídeos (entre VHS e DVD) estão à sua disposição. Nesse caso, também é possível locar. Após um rápido cadastro, você pode levar até três unidades para casa, por dois dias, ao preço de R$ 1,80 cada uma.

Como hoje em dia quase não restam vídeos cassetes, o museu tem a intenção de desenvolver uma sala, onde será possível assistir aos vídeos que estejam nesse formato. No acervo, existem produções de diretores de diversas nacionalidades: franceses, ingleses, argentinos, gregos, indianos, italianos, entre outros.


Exibições de Filmes -  O museu conta com o auditório “Chico Botelho”. Nele, são exibidos filmes, que podem ou não serem seguidos de debate. No projeto “Cinema no MISS” ou “Sessão Retrô” você pode dar a sorte de encontrar em cartaz o filme que você sempre quis assistir, mas não podia, por estar em formato VHS.

O projeto Cinema no MISS tem a finalidade de mostrar o melhor do cinema nacional e internacional. Já o Sessão Retrô expõe, especialmente, clássicos do cinema mundial. Os filmes são escolhidos pelo coordenador do local, Nivio Mota, e a programação é publicada no Diário Oficial da cidade, e em panfletos distribuídos aos visitantes do museu.

Os adultos terão a sensação de voltar no tempo mesmo antes de começar o filme e os mais jovens terão a oportunidade de conhecer um pouco do passado de Santos. Isso porque os 75 lugares disponíveis no auditório são especiais. Os assentos chegaram ao museu em 2007 e são os mesmos do antigo Cine Indaiá que existiu na cidade até 2004. Eles foram doados pelos responsáveis pela construção que ocupou o local onde o cinema exibiu suas sessões por 44 anos.

Exposições -  Quem entra no museu não imagina, mas em meio ao salão no qual estão expostas máquinas, TVs e outras peças antigas, existe uma sala de exposições, um pouco escondida. Nela, é possível encontrar partes de grandes comemorações que acontecem na cidade. Já ocorreram mostras sobre carnaval, propaganda e de fotos. A divulgação é feita nas rádios locais.

Em 2009, ano da França no Brasil, ocorreram durante um mês exibições de filmes de diretores franceses e de óperas, também de produção francesa.

Nos 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil (2008) não foi diferente. Durante no mês de junho foram feitas diversas homenagens no local.

Tributos a diretores também já aconteceram. Fique ligado, pois a qualquer hora pode acontecer mais alguma e você não pode perder!

Serviços Especiais - O local dispõe de um estúdio para gravações de áudio. A locação custa R$ 35,00 a hora.

Durante um período, o MISS possuía uma espaço no qual era possível fazer gravações de vinil para CD. “Essa atividade foi suspensa permanentemente por conta de ter sido considerada “pirataria” pela legislação”, explica Maria Antônia.

O museu realiza um processo de catalogação de fotos antigas da cidade de Santos, muitas da década de 60. Ao final desse processo, o visitante poderá ver as fotos da população e dos carnavais santistas da época.

Oficinas e cursos também acontecem no espaço do MISS. Ambos são divulgados no Diário Oficial de Santos ou por meio de panfletos que ficam nas portarias principal e do fundo, na Hemeroteca e no próprio museu.

Uma série de depoimentos já foi gravada no MISS ou recebida de empresas que fazem essas gravações e edições. Os convidados são pessoas ilustres da região que contam um pouco sobre a própria vida. Os depoimentos que foram gravados no MISS não podem ser locados, pois fazem parte do acervo interno do museu. Já os outros, fazem parte do processo de locação.

Roberto Peniche, Carlos Pinto (atual Secretário de Cultura de Santos) e Guga (Maestro da Orquestra Sinfônica de Santos) são algumas das celebridades que tiveram seus depoimentos gravados pelo próprio MISS.  Já os depoimentos de Plinio Marcos (escritor), Tanah Corrêa (ator e produtor de artes cênicas) e Edmur Mesquita (ex-deputado estadual) são alguns dos que foram doados.


Frequentadores - Adultos e idosos são os maiores frequentadores do local. “Nas sessões de cinema, a minoria são pessoas que estão sempre por aqui. Tem alguns visitantes que são bem assíduos”, explicou a chefe da seção do museu.

Mas, pelo menos uma vez por mês, o MISS recebe a visita de escolas públicas ou particulares. Crianças de 4 a 10 anos ficam fascinadas pelos objetos expostos.

Nossos avós e pais estão tendo a oportunidade de conhecer todas as tecnologias presentes em nossa geração. No entanto, nós só temos condições de saber um pouco mais sobre o passado com as histórias contadas por eles. Mas as palavras transformam-se em imagens que ficam distantes, só na nossa imaginação.

Visitar o MISS é uma excelente forma de transformar estas imagens em peças concretas e entender um pouco mais sobre o passado, quando a forma de transmitir informações era tão diferente.

Uma dica: o passeio será ainda mais proveitoso ao lado dos mais experientes.  Isto porque provavelmente você vai precisar da ajuda deles para entender a função de todos aqueles aparelhos.

Sem dúvida, uma oportunidade imperdível para conhecer o passado, tanto quanto seus pais e avós conhecem (ou tentam conhecer) o seu presente.

Doações - O MISS existe graças a doações. Quando foi criado, em 1996, as doações eram feitas por pessoas ligadas à prefeitura que conheciam o projeto. Hoje, o visitante encontra, ao lado de algumas peças, além de pequenas informações sobre elas, o nome de quem as doou. Como não há espaço para todas as doações, de tempos em tempos são feitos rodízios e as peças em exposição são trocadas por aquelas que estavam guardadas.

Para doar algum tipo de material com o perfil do MISS, basta entrar em contato através do telefone: 3226-8000 Ramal 8181. Os funcionários receberão a peça, farão a catalogação e pronto: mais um objeto para o acervo e mais conhecimento para quem o visita. Se for um volume de grande porte, existe a possibilidade de agendar um veículo para a coleta.

Reforma - Atualmente o MISS passa por uma reforma. Por este motivo, alguns dos projetos citados estão temporariamente suspensos.

Veja, abaixo, os horários das atividades do MISS.

O MISS fica na Avenida Pinheiro Machado, 48. O horário para visitação é segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.